segunda-feira, 2 de junho de 2014

Algumas coisas vão, mas nem todas.


Guardar e acumular raiva, ódio e rancor de fato, não faz mal maior do que a quem os armazena e alimenta.
O outro, a quem se tem a tal raiva, rancor ou ódio, vamos combinar, na maioria das vezes nem sabe que a ele se destina tantos sentimentos infelizes.
Aí, no fim das contas, quem fica ruminando, sofrendo e se debatendo com o mal tremendo que esses três poderosos sentimentos causam é mesmo quem os mantêm.
Ok, ok. Seria muita hipocrisia minha dizer que nunca senti, alimentei ou sinto e alimento algum dos três. Claro, sou humana, também já me vi nesta situação.
Mas sou racional. Sei dos malefícios pessoais que isso tudo me faz. Por isso, faço o possível para me livrar destes "encostos" assim que posso.
Ok. Passa a raiva, passa o rancor e passa o ódio. Tudo passa.
Mas as marcas, essas ficam.
E não venha pedir ou esperar de mim, uma pessoa sensível e uma historiadora de ofício que não
sinta, que não se entristeça ou que esqueça, que não tenha memória.
No máximo, reze para que eu não lembre com frequência.
Esquecer? Impossível. A menos que doente...
O machucado que se causa muitas vezes é irrecuperável.
As marcas alí permanecerão para sempre.
Resta aos causadores, se ainda alí tiverem interesse de insistir por arrependimento
ou qualquer motivo que for, serem perdoados o suficiente para que o episódio causador
não venha a tona sempre. Para que ele permaneça esquecido e que assim, seja possível seguir.
É como uma queimadura. As marcas sempre nos lembram do choque, da dor. Não tem como.
E, muitas vezes, apesar do perdão, o retorno às "boas" nunca acontecerão
simplesmente  por que as "boas" ficaram num passado que não volta mais.
Conviver numa "boa" com quem deixou marcas tão profundas  é insustentável.
Assim, pode-se manter o coleguismo, a educação e vivência.
Mas a convivência de fato, não existirá nestes casos e, quer saber,
muitas vezes assim é mais saudável mesmo.
No mais, nunca é demais lembrar que tudo passa
e o perdão pode até vir do fundo do coração, mas a memória é permanente e taxativa:
o que se fez está feito.
Resta saber como lidar de maneira saudável com isso adiante.
Mari

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