Tem uma pergunta que me persegue desde que tive que escolher minha carreira
por ocasião do vestibular.
Um professor no 3º ano do Ensino Médio dizia:
"atenção, escolham bem... vocês vão querer passar o resto da vida acordando cedinho para ir desempenhar essa função? É isso mesmo que querem?"
Desde então eu penso nisso:
"será que acordarei para ir trabalhar sempre feliz com minha escolha?"
Bom, digo "feliz" por que já entendi que "realizada" é utópico demais pra mim...
( completamente realizada eu nunca estarei).
Pocha, mas "feliz", pelo menos "feliz" eu preciso estar...
Se não, como viver?!
Aí, num outro dia, na semana passada, eu acordo pra trabalhar e meu pai pergunta:
" - Saindo para o trabalho minha filha? Vai para guerra ou vai para festa?"
Pronto, fiquei com a questão (re) martelando até agora...
Para guerra ou para a festa?
Para guerra ou para a festa?
(...)
Tem dias que nosso ânimo está pra lá de Marraquesh não é?
Tem dias que cansa ser positivo e viver tendo esperanças.
Não digo de perder a fé, isso nunca.
Mas a esperança, a positividade... nem sempre consigo mantê-las.
É tão difícil alimentar um sonho. Acho que nem um filho deve dar tanto trabalho...
É tanto obstáculo, desvio, buraco e frustação no meio do caminho que francamente,
em alguns dias - como hoje - minha vontade é largar tudo e ir...
ir pra onde o vento me levar e passar a viver como Deus quiser.
Eu sei, eu sei... não está fácil pra ninguém...
mas sabe como é, nossa cruz sempre parece a mais pesada...
Olhar pra frente, olhar pro céu e continuar acreditando naquilo que você
passou a maior parte da vida construindo mas nem de longe ainda te levou a lugar algum
ainda tem sido um dos meus maiores desafios. Afinal, como continuar a sonhar assim?
Para guerra?
Para festa?
Ultimamente tenho vontade é de nem sair da cama.
Mari
:/
Aquela que sempre cultivou o hábito da escrita diária no papel... agora divide com vocês os íntimos pensamentos na rede. Sejam bem Vindos!! Mari
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Além do horizonte existe um lugar?
...e de repente você para
e percebe que está fazendo o possível para alcançar um horizonte "x"
que você - de fato - nem sabe se te levará mesmo à felicidade.
Meu Deus, como é difícil ser pleno...
A plenitude, o "enfim", quanto mais demorará para chegar?
(as vezes temo que nunca chegue...)
E se não chegar?
Que vida será essa sempre a correr em busca de um horizonte que não chega nunca?
E se chegar e não for aquilo que tanto se buscou?
Além do horizonte existirá mesmo um lugar bonito e tranquilo onde a plenitude reinará?!
A "graça", afinal, está em buscar ou em chegar?
Há quem fale que o importante mesmo o é caminho, o processo, o meio e não o fim em si.
Será?! Não sei mais...
Só sei que é muito desistimulante e até triste saber que toda essa busca não dará em nada...
(...)
Isso tudo, sem falar que ainda existem os casos em que se busca tanto que chega-se a um
ponto em que nem se sabe mais onde se quer chegar...
e, espera aí, de que adianta buscar se não se sabe mais o que?!
Ops, o que é que eu vim buscar neste post mesmo?
hum, deixa pra lá.
Mari
:/
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Sobre chegadas e partidas
http://www.youtube.com/watch?v=ivisAIgVlnA
Estes dias aqui no blog estive falando da difícil e tênue relação
entre pais e filhos e de como é complicado deixar todo mundo sempre feliz...
como não magoar? como agradar a todo mundo? É possível?
Cheguei a conclusão que não.
Um de nós sempre estará insatisfeito, chateado, magoado ou "querendo mais"...
afinal, somos muitos e como dizia o velho ditado: "cada cabeça uma sentença".
Todavia, o que vale mais - eu venho entendendo - e que é mais importante é
(como sempre) buscar o "caminho do meio".
Digo isto já que magoar e entristecer quem se ama é sempre dolorido para os dois lados,
por isso ceder parece ser mesmo um dos melhores remédios.
(isso inclui respirar fundo e abrir mão de algumas vontades,
gostos e preferências em prol do outro, da felicidade dele).
Uma vez uma pessoa muito sábia me disse:
"casamento é o seguinte: você tem que saber se está preparado para fazer O OUTRO feliz
e não você mesmo por que se o foco for você o negócio não vai dar certo..."
- e não é que é desse jeitinho?
E isso serve para todo tipo de relação - não só matrimonal.
Se o foco da relação for a nossa felicidade sempre e não a do outro
não seria melhor vivermos numa redoma isolados?
Pais, sejam compreensivos, um dia nossa hora vai chegar e é preciso ceder.
Filhos, sejam compreensivos, um dia também nós seremos pais e precisaremos também entender.
Que tal todo mundo ceder um tiquin e tentar ser mais feliz?
MARI
:)
Estes dias aqui no blog estive falando da difícil e tênue relação
entre pais e filhos e de como é complicado deixar todo mundo sempre feliz...
como não magoar? como agradar a todo mundo? É possível?
Cheguei a conclusão que não.
Um de nós sempre estará insatisfeito, chateado, magoado ou "querendo mais"...
afinal, somos muitos e como dizia o velho ditado: "cada cabeça uma sentença".
Todavia, o que vale mais - eu venho entendendo - e que é mais importante é
(como sempre) buscar o "caminho do meio".
Digo isto já que magoar e entristecer quem se ama é sempre dolorido para os dois lados,
por isso ceder parece ser mesmo um dos melhores remédios.
(isso inclui respirar fundo e abrir mão de algumas vontades,
gostos e preferências em prol do outro, da felicidade dele).
Uma vez uma pessoa muito sábia me disse:
"casamento é o seguinte: você tem que saber se está preparado para fazer O OUTRO feliz
e não você mesmo por que se o foco for você o negócio não vai dar certo..."
- e não é que é desse jeitinho?
E isso serve para todo tipo de relação - não só matrimonal.
Se o foco da relação for a nossa felicidade sempre e não a do outro
não seria melhor vivermos numa redoma isolados?
Pais, sejam compreensivos, um dia nossa hora vai chegar e é preciso ceder.
Filhos, sejam compreensivos, um dia também nós seremos pais e precisaremos também entender.
Que tal todo mundo ceder um tiquin e tentar ser mais feliz?
MARI
:)
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Doutora da Alegria
Gente, passei.
Passei na seleção do doutorado do programa de pós graduação em Educação da UFPB.
Meu doutoramento começa no ano de 2014, até lá, burocracias mil, matrícula e etc...
Chorei muito ontem. Muito mesmo, não acreditava.
"como assim produção? EU? Euzinha passei no doutorado?!"
Pocha, hoje (soube ontem do resultado) consigo pensar com calma e entender...passei.
Somente hoje a tarde dormi o "sono dos aliviados"
e ai, me deparo com mais de 60 comentários e mais de 100 curtidas no facebook.
Nunca fui tão "curtida" na vida, rs.
(tô mais curtida do que o couro das sandálias do mercado ...de Patos...rsrs).
Obrigada a todo mundo, de coração mesmo, pelas palavras de carinho:
não tem preço saber que não estamos sozinhos.
Só digo uma coisa: doutora eu? Que é isso!
Estou entrando em doutoramento em 2014 gente,
ainda falta tanta água rolar...
E francamente, quando terminar, só me interessa ser doutora de uma coisa:
da alegria.
MARI
(sonhando acordada).
Passei na seleção do doutorado do programa de pós graduação em Educação da UFPB.
Meu doutoramento começa no ano de 2014, até lá, burocracias mil, matrícula e etc...
Chorei muito ontem. Muito mesmo, não acreditava.
"como assim produção? EU? Euzinha passei no doutorado?!"
Pocha, hoje (soube ontem do resultado) consigo pensar com calma e entender...passei.
Somente hoje a tarde dormi o "sono dos aliviados"
e ai, me deparo com mais de 60 comentários e mais de 100 curtidas no facebook.
Nunca fui tão "curtida" na vida, rs.
(tô mais curtida do que o couro das sandálias do mercado ...de Patos...rsrs).
Obrigada a todo mundo, de coração mesmo, pelas palavras de carinho:
não tem preço saber que não estamos sozinhos.
Só digo uma coisa: doutora eu? Que é isso!
Estou entrando em doutoramento em 2014 gente,
ainda falta tanta água rolar...
E francamente, quando terminar, só me interessa ser doutora de uma coisa:
da alegria.
MARI
(sonhando acordada).
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Vítima? Tem certeza?
Ave Maria, mãe de misericórdia, tem misericórdia dessa alma que vos clama.
Tem misericórdia da minha ira, da minha impaciência e dos pensamentos atrevidos
que passam pela minha cabeça e que só não viram atitudes concretas por que temo a Deus
e respeito demais os mais velhos.
Ô minha Nossa Senhora, me ajuda a melhor lidar com a "vitimização" constante e diária das pessoas.
As vezes me falta pouco, tão pouco, para dizer "se você quiser lhe dou motivos reais para que faça todo esse drama, para que tenha do que se lamentar e para que fique de fato se desfazendo de mim".
Por que, tem dias, que fica mesmo difícil respirar fundo
e tudo o que eu posso fazer para evitar o confronto é sair de perto.
É pecado meu Deus querer ser livre?
Querer ser independente?
Lutar pelos meus ideais?
Correr atrás dos meus desejos?
Buscar resolver minhas questões sozinha?
Ter autonomia pra seguir?
Serei eu uma pessoa ingrata, ruim e desumana por que luto para NÃO dar trabalho,
não causar dependência e seguir minha vida - COMO TODO MUNDO SEMPRE FEZ E FAZ
(e até os próprios "reclamões" assim também o fizeram) ?!
Será possível que eu tenha que ficar parada e inanimadamente - como se não tivesse meus próprios impulsos, desejos e causas - ter que ficar a disposição alheia, esperando comandos, aceitando opiniões e seguindo programações que não me interessam mais?
Serei eu má por isso?
Serei eu menos filha, menos cristã ou cidadã?
Só por que tento buscar levar a minha vida por mim mesma me torno uma pessoa pior?
( a ponto de ser referida IMPLICITAMENTE mas constantemente aos demais como uma pessoa "ingrata"?)
É LÓGICO que a independência total NUNCA vai existir.
É LÓGICO que - apesar do drama que fazem - eu não sou desalmada, nem esclerosada,
nem sem coração. Eu sei de onde eu vim.
Eu RESPEITO DEMAIS E AMO INCONDICIONALMENTE minhas raízes.
E se respeito e amo, não é por que alguém faz drama por isso não, é por que ao longo da minha vida eu fui assim educada.
Eu não essa pessoa fria que não tem amor ou apego ao que é meu,
ao que me sustentou e sustenta, ao que me orientou e orienta, ao que foi e é minha base pra sempre.
Por outro lado, ou nem por isso,
eu tenho que viver agarrada a essas raízes e em função delas 24hs da minha vida.
Me afastar um pouco, eu acredito, VAI SER BOM para tudo e todos.
Todos nós NOS DAREMOS mais valor, saberemos como PRECISAMOS (todos) uns dos outros
e só fortaleceremos nossos laços de família, amor e união.
Tenho procurado viver esse momento de "vitimização" como uma fase que vai passar
(e espero em Deus que não demore).
É preciso entender que as pessoas crescem, amadurecem e precisam viver,
ERRAR sim e aprender a desenvolver TAMBÉM sozinhas (tanto eu ASSIM COMO vocês).
Dependência demais deixa de ser laço e vira nó. Sufoca, impede, maltrata.
Culpabilização, vitimização e injustiça magoa, e muito.
Principalmente quando não se tem motivo para isso.
Não matei ninguém, não roubei ninguém, não difamei ninguém, não enganei ninguém,
não cometi nenhuma ilicitude, não os desrespeitei, desmereci, diminui ou constrangi.
Só temo isso tudo por que sou do tipo de pessoa que demora a perdoar, confesso.
Mas já aprendi a fazê-lo.
Entretanto, esquecer... aí não dá.
Não me peça nem espere que eu esqueça nada... não sofro de amnésia.
E não é que eu seja rancorosa ou alimente mágoas - até por que já entendi que mágoa, ódio e rancor só fazem mal a mim mesma.
Mas admito que as cicatrizes que elas deixam não se podem apagar.
O melhor então, é procurar entendermos que a vida é feita de ciclos
e que nunca estaremos sozinhos, por que sozinho ninguém consegue viver.
As vezes o que se quer é só mais espaço pra ser mais livre,
pra viver consigo mesmo, e isso não significa que amemos menos os outros,
ou que os rejeitemos ou pior,
que não reconheçamos o quanto são ESSENCIAIS em nossas vidas.
Só significa que tem se aproximado nossa hora de voar.
Mas voar sabendo que o nosso porto seguro NUNCA vai mudar.
E que assim como ele SEMPRE estará alí, nós também vamos SEMPRE voltar.
Confiem na educação e no amor que dedicaram aos seus.
Confiem no bom trabalharam que fizeram.
Quem planta bem, colhe bem.
MARI
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
O seu direito termina quando o meu começa
Quem quer ser respeitado devia respeitar os próprios colegas de profissão!
Tá achando ruim a presença dos estrageiros?
Ocupa logo uma vaga no interior e acaba com esse muído!
Tá achando ruim o "baixo" salário e as péssimas condições de trabalho?
Bom, bem vindo a VIDA REAL e dê "seus pulos" como TODAS as demais categorias vivem dando. Se acha que não é possível?
Muda de área pô, certamente essa não é a sua!
Vamos trabalhar gente, fazer o Brasil crescer!
Quem quer trabalhar muitíssimo bem remunerado e com tecnologia de ponta devia se candidatar a Nasa ué?!
Pocha, tô cansada de ver esse muído na saúde e pouca ação! Ah, que saco!
Quer saber? Abre teu consultório, cobra 21897946 milhões e pronto, resolve tua questão.
Agora, destratar quem não tem nada a ver suas amarguras profissionais é mesmo muito anti-profissionalismo desses "doutores".
Esse comentário postei essa semana no face.
Me cansa e me dá nos nervos o comportamento da classe médica, direitista, no Brasil.
Trabalham em condições ruins no serviço público? Trabalham.
Mas que outra categoria não vive em condições ruins sendo servidor público?
A questão a meu ver não é revalidação, nem médico cubano ou coisa que o valha.
A questão é mesmo o quanto de dinheiro (e a maneira como o ganham) coloca-se no bolso.
Tô pra ver - francamente - um médico ou estudante de medicina dizendo ANTES de tudo:
" me preocupo demais com os outros, em AJUDAR, em CUIDAR... essa é minha vocação".
Não, nada disso. A conversa é sempre: "vou ganhar "x" ou "y"
ou "vou morar aqui ou alí" ou ainda " que condições ruins de trabalho, que situação de guerra...".
Tá vendo só como os interesses são implícitos ou completamente desviados?
Agora, não venha me fazer ver e escutar isso tudo e ficar calada ou não me manifestar.
Não tenho sangue de barata. Me desculpa se não tenho ouvido de mercador.
Vivemos numa democracia LIVRE. Do mesmo jeito que escuto suas asneiras escute as minhas tb.
O seu direito termina quando o meu começa.
#ficaDica.
MARI
ps. lógico que EM TODA REGRA EXISTE EXCEÇÕES e neste caso também não é? Nem todo médico é intereisseiro, mercenário e "investidor". Existem exceções, poucas mas existem.
Tá achando ruim a presença dos estrageiros?
Ocupa logo uma vaga no interior e acaba com esse muído!
Tá achando ruim o "baixo" salário e as péssimas condições de trabalho?
Bom, bem vindo a VIDA REAL e dê "seus pulos" como TODAS as demais categorias vivem dando. Se acha que não é possível?
Muda de área pô, certamente essa não é a sua!
Vamos trabalhar gente, fazer o Brasil crescer!
Quem quer trabalhar muitíssimo bem remunerado e com tecnologia de ponta devia se candidatar a Nasa ué?!
Pocha, tô cansada de ver esse muído na saúde e pouca ação! Ah, que saco!
Quer saber? Abre teu consultório, cobra 21897946 milhões e pronto, resolve tua questão.
Agora, destratar quem não tem nada a ver suas amarguras profissionais é mesmo muito anti-profissionalismo desses "doutores".
Esse comentário postei essa semana no face.
Me cansa e me dá nos nervos o comportamento da classe médica, direitista, no Brasil.
Trabalham em condições ruins no serviço público? Trabalham.
Mas que outra categoria não vive em condições ruins sendo servidor público?
A questão a meu ver não é revalidação, nem médico cubano ou coisa que o valha.
A questão é mesmo o quanto de dinheiro (e a maneira como o ganham) coloca-se no bolso.
Tô pra ver - francamente - um médico ou estudante de medicina dizendo ANTES de tudo:
" me preocupo demais com os outros, em AJUDAR, em CUIDAR... essa é minha vocação".
Não, nada disso. A conversa é sempre: "vou ganhar "x" ou "y"
ou "vou morar aqui ou alí" ou ainda " que condições ruins de trabalho, que situação de guerra...".
Tá vendo só como os interesses são implícitos ou completamente desviados?
Agora, não venha me fazer ver e escutar isso tudo e ficar calada ou não me manifestar.
Não tenho sangue de barata. Me desculpa se não tenho ouvido de mercador.
Vivemos numa democracia LIVRE. Do mesmo jeito que escuto suas asneiras escute as minhas tb.
O seu direito termina quando o meu começa.
#ficaDica.
MARI
ps. lógico que EM TODA REGRA EXISTE EXCEÇÕES e neste caso também não é? Nem todo médico é intereisseiro, mercenário e "investidor". Existem exceções, poucas mas existem.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Colhendo o que plantamos...
Na minha geração (e olha que nem sou tão velha assim) os computadores ainda não
eram "febre" como hoje. Os celulares também não - definitivamente.
Mas os vídeo games (apesar de bem menos tecnológicos) já faziam - E MUITO -
a alegria da criançada.
Durante um tempo - pequeno - houve em nossa casa um video game.
Todavia, fico aqui me lembrando... essa tecnologia NUNCA foi "páreo" para substituir
nossa infância. Nunca!
E isso, acredito, foi devido a "apresentação do ser criança" que recebemos em casa, da nossa família, nossos pais, antes dele (o vídeo game) chegar.
Sempre fomos incentivados a criar.
Criávamos tudo, mesmo se tivéssemos brinquedos.
Acredito, sinceramente, que 70% do nosso "brincar" era imaginando, criando.
Criáva-mos uma cidade com vários carros (os meninos dirigiam suas tampas de panela),
morávamos em nossas casas (embaixo das mesas cobertas com lençois e pregadores)
e sóo saíamos de lá para visitar o "supermercado" e assim alimentar nossas "famílias"
(misturávamos biscoito, banana, doces e balas e criávamos cada receita...rs)
ou para ir ao "banco" - no qual estavam nossas cédulas, cheques e empréstimos
(produzidos e criados por nós mesmos).
Também brincávamos de inventar "comerciais para tv" dos nossos chinelos, relógios,
camisas e bonés.
Ou então ensaiávamos números e agendávamos um dia para apresentar no hall do prédio
(era a sen-sa-ção) depois de, claro, fazermos a punho um por um os panfletos de divulgação.
Brincávamos de "vendas".
Vendía-se de tudo: roupinha de barbie, barquinhos de papel, brigadeiros...
(e os vizinhos, rindo e dando-nos conselhos "de maketing" sempre compravam...)
Fazíamos coleções: de pedrinhas, de figurinhas, de papel de carta.
Jogávamos "bafo" com cartas e com tazzos (lembram?).
Ensaiávamos "números" para apresentar nos aniversários uns dos outros.
Brincávamos de "casa mal assombrada" no beco da casa
(uma espécie de "casa do terror" - criávamos breve enredos e um de nós "entrava" para visitar e se assustar, rs)
Nos divertíamos MUITO criando com massinha de modelar ou com Lego.
As personagens, algumas vezes, instalavam-se no terraço por semanas!
(e ai de quem distruisse "minha casa").
Você deve estar pensando: e o vídeo game, cadê? Ué, estava lá também.
Jogávamos TOP GUIER, SONIC, STREET FIGHTER, COME COME...
Quando? Quando chovia, quando um ia dormir na casa do outro ou quando
"não se havia nada para fazer...".
Diferente demais né não?! MUITO diferente. O video game era só uma opção,
SÓ MAIS UMA.
Tínhamos tanto com o que nos divertir, com o que nos entreter,
com o "ser criança" que este aparelho era a opção apenas dos dias e horários em que
estávamos "sem opção".
(Até contar quantos carros azuis, vermelhos ou brancos passavam pela nossa janela do
9º andar dentro de 15min era motivo de brincadeira. Era mais interessante que o vídeo game).
Brincávamos. Tínhamos amigos, REAIS.
Corríamos, caíamos, nos machucávamos.
Arrengávamos que era uma beleza...rs. Fazíamos as pazes.
Festejávamos quando um "novo morador" trazia junto um ou dois filhos.
Vivíamos a "vida real". Convivíamos.
Tinhámos pais que se sentavam à mesa conosco não só pelas "tarefas de casa",
mas também para pintar as "cédulas" do nosso banco,
para cortar e "ajudar na produção" dos panfletos do nosso show,
que reuniam lençois, pregadores e bacias para que brincássemos em nossas "casas"
embaixo das mesas.
Tínhamos casas "de verdade" - podíamos correr, mexer, usar.
Tínhamos amigos "de verdade" - podímos brigar, correr, suar.
Tínhamos brinquedos "de verdade" - jogos industrias e os NOSSOS jogos.
Tínhamos pais "de verdade" - que nos INCENTIVAVAM a ser criança.
Tínhamos problemas? Sim! Tínhamos crises? Sim!
Tínhamos dinheiro racionado vez ou outra? Sim!
Tínhamos pais que trabalhavam os 2 turnos? Sim!
Ficávamos doentes? Sim. Gostávamos de vídeo game? Sim.
Haviam pais separados? Sim. AINDA ASSIM éramos crianças? SIM, SIM, SIM.
Pois é... hoje, depois de adulta, ainda convivo com crianças e jovens quase todo dia.
Sou professora.
E, francamente... ou os conceitos de criança e infância mudaram muito, muito mesmo,
ou eu é que "não sei mais brincar"...
Se eu acho que há a possibilidade do menino Marcelo Perseguinni (provável assassino dos pais,
avós e suicida) de São Paulo - que era quieto, pacato, calmo e bom filho - tenha cometido
tamanha crueldade? Acho. É possível.
Digo isso por que sei que só quem convive DE PERTO com as crianças de hoje,
e AS ESCUTA de verdade sabe - como eu - que muitas vezes, elas nos assustam.
Claro, nem todas, mas muitas têm ideias egoístas e mesquinhas declaradamente.
Muitas só falam em si mesma e em seu benefício. São frias, quase insensíveis.
Muitas usam uma linguagem escandalosamente chula, "adulta" e cantam músicas de fazer pena. Muitas, muitas mesmo, são agressivas e violentas.
Os meninos - geralmente - sabem nomes de golpes de luta e de armas como ninguém
(nem se fosse combatentes saberiam tanto...).
Além disso, agendam "arruaças", brigas, guerras, confrontos e similares
com gente do mundo inteiro e se programam para não perder o "evento".
Muitos se "comportam" durante a semana para que no fim de semana o pai lhe dê dinheiro para
comprar no jogo virtual "X" ou "Y" armas, bombas, escudos ou "força" para matar com isso ou aquilo.
Para muitas crianças numa tarde inteira comigo, ESSE é o único assunto. Esse é o seu universo.
E ai você pensa que o menino Marcelo não seria capaz?
É monstruoso, é terrível, é inacreditável, mas sinceramente, para mim é possível.
Papai e mamãe, escute mais o seu filho. Esteja mais com seu filho.
Viva mais com seu filho. Brinque mais com ele. O priorize.
Você está construindo um adulto HOJE, AGORA, mesmo que ele só tenha 2 ou 3 anos.
O que ele come, o que ele assiste, onde ele estuda, com quem ele brinca, com O QUE ele brinca...
É sua responsabilidade...
Mais do que "acompanha-lo" você precisa ASSISTI-LO e participar 24hs da vida do seu filho.
E ainda fazer isso sem sufoca-lo, dando-lhe conselhos, EXEMPLOS e ensinamentos
mas deixando-o livre para viver, cair, chorar, brigar, se desculpar e entender o mundo.
É fácil? CLARO QUE NÃO!
Afinal, ninguém vive 24hs em função do filho.
Você teve o filho mais não deixou de ser você. Entretanto, você o teve.
Ele não "escolheu" nascer. Foi você que o "chamou a vida",
a responsabilidade de educá-lo é sua. É SUA!
A felicidade, a lucidez, a generosidade, os caminhos dessa criança
são SUA responsabilidade sr. papai e srt. mamãe. É assim que é!
Como você o incentiva a se descobrir (futebol, ballet, judô, colônia de férias, coral, teatro)
e a experimentar suas habilidades e possibilidades? Trancando-lhe no quarto com um copo
de Coca, um computador de última geração, um vídeo game sensacional e um telefone que
só falta voar?! É assim?
Assim você "doma" um bicho ou educa uma criança? Pense bem...
Colhemos o que plantamos... e mesmo que você diga
"ah, mais eu controlo tudo. Aqui em casa tem tanto tempo pro celular, tanto pro video game, tanto pro computador..." eu ainda assim lhe pergunto:
Que infância é essa? Que criança isolada, virtualizada, insensível, descontextualizada é essa?
Ah com eu escuto...
"Professora, ele só grita, não me respeita, só come bobeira, não aguenta correr nem "daqui para alí", não gosta de sair, quase não tem amigos... esse menino é muito trabalhoso!".
MORRO de vontade de dizer:
"ué, se não fosse "trabalhoso" não era menino, era estátua de sal".
Tem uma frase "moderna" que todo papai e mamãe deveria escutar antes de assumir esta função:
"não sabe brincar, não desce pro play!".
Tenho muita pena da infância dos nossos dias...
MARI.
:(
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